NASCAR enfrenta críticas após domínio de Shane van Gisbergen nas pistas mistas
12 Agosto 2025Van Gisbergen volta a dominar nos circuitos mistos
O piloto neozelandês Shane van Gisbergen voltou a destacar-se este fim de semana, ao vencer de forma categórica no Watkins Glen International, conquistando a sua nona vitória em circuitos mistos desde que trocou os campeonatos de Supercars australianos pela equipa Trackhouse Racing na NASCAR.
Com quatro vitórias só esta temporada — o dobro do atual líder do campeonato, William Byron — Van Gisbergen garantiu presença nos playoffs e já está tecnicamente habilitado a disputar o título da NASCAR Cup Series de 2025, logo no seu ano de estreia, feito que apenas seis outros pilotos alcançaram. Apesar de ainda estar a adaptar-se às pistas ovais, tem mostrado evolução constante corrida após corrida.
Pistas mistas ganham terreno e fãs mais jovens
Embora muitos adeptos tradicionais da NASCAR continuem a criticar os circuitos mistos, considerando-os uma afronta à essência da modalidade, os responsáveis pelo campeonato parecem ter compreendido uma lição que a IndyCar aprendeu há duas décadas: as ovais já não têm o mesmo apelo de outrora. O público mais jovem prefere as pistas técnicas com curvas à esquerda e à direita, e com o crescimento do interesse pela Fórmula 1 nos Estados Unidos, a NASCAR pretende surfar essa nova onda.
Para 2025, estão previstos seis circuitos mistos no calendário — algo que levou a Trackhouse a apostar num especialista como SVG para garantir vitórias e manter os patrocinadores satisfeitos. E a aposta não poderia ter resultado melhor.
Equipas adversárias ficaram para trás
O desempenho de Van Gisbergen em Watkins Glen não deixou margem para dúvidas: está muito à frente dos restantes pilotos da NASCAR em pistas mistas. Cruzou a meta 11,1 segundos à frente de Christopher Bell, tornando-se o primeiro piloto, desde a introdução do sistema eletrónico de cronometragem, a vencer múltiplas provas numa temporada com margens superiores a 10 segundos.
Apesar de o domínio do neozelandês ser claro, a corrida em si não trouxe grande espetáculo. A muito criticada Next Gen car não tem convencido em circuitos curtos e mistos, embora funcione bem em traçados intermédios.
Mesmo assim, Elton Sawyer, vice-presidente de competição da NASCAR, defendeu o atual formato: “Gostamos do produto que apresentamos nas pistas mistas. Mas isso não significa que estamos parados”, afirmou. “Estamos sempre a procurar formas de melhorar — seja no carro, no motor, nos pneus — tudo o que possa tornar as corridas mais emocionantes para os nossos fãs.”
A falta de preparação das outras equipas
É importante destacar que todas as equipas da NASCAR sabiam, desde o início de 2024, que seis provas de 2025 seriam disputadas em circuitos mistos. Ainda assim, parece que poucas se prepararam adequadamente. Embora seis corridas num total de 36 não sejam suficientes, por si só, para garantir o título, representam cerca de 17% da temporada, uma fatia demasiado significativa para ser ignorada.
Equipas menores, como a própria Trackhouse, poderiam ter concentrado esforços para acertar o setup dos carros ou treinar melhor os seus pilotos nesses traçados. Porém, poucas seguiram esse caminho. O resultado? Van Gisbergen venceu quatro das cinco provas mistas até agora, perdendo apenas em Circuit of the Americas, onde foi forçado a abandonar após ser abalroado.
A urgência de encarar a mudança com seriedade
Para muitos analistas, a superioridade de Van Gisbergen é um sinal claro de que a NASCAR precisa de repensar a forma como encara os circuitos mistos. Enquanto algumas equipas ainda os veem como um “extra”, outras, como a Trackhouse, perceberam que podem ser decisivos no rumo de uma temporada.
A mensagem é simples: a NASCAR não pode aspirar a ser levada a sério enquanto os seus principais pilotos continuarem a ser humilhados por um estreante nos circuitos mistos. A nova geração de fãs pede mais diversidade e técnica — e os resultados mostram que quem se adapta, vence.