Honor em dose dupla: A maturidade do Magic7 Pro e a força bruta do X80 Pro Max

Honor em dose dupla: A maturidade do Magic7 Pro e a força bruta do X80 Pro Max

19 Junho 2026 Não Por Tomás Castro

O Magic7 Pro é um caso sério e representa a entrada definitiva da Honor numa fase de maturidade inegável. O seu antecessor já tinha deixado a concorrência a suar — o Magic6 Pro limpou mesmo o prémio de smartphone do ano em 2024 pelas mãos do júri da 4gnews — pelo que a expectativa para este novo topo de gama estava lá no alto. A marca tem vindo a ganhar um terreno tremendo na Europa e acaba de lançar este equipamento em Portugal por 1299 €, valor que chegou a incluir uns auriculares de 150 € na fase de pré-venda. Andei com ele no bolso nas últimas duas semanas e, goste-se ou não do rumo da indústria, a verdade é que o hardware está no ponto, mesmo que o software ainda peça umas limpezas ali e acolá, especialmente no que toca a algum bloatware pré-instalado.

Quem pega na caixa do Magic7 Pro percebe logo ao que vai pela espessura da mesma. Lá dentro, a reinar, está o telemóvel, ladeado por um cabo USB-C e o pino dos cartões SIM. O carregador brilha pela ausência na embalagem oficial. No entanto, a marca dá uma abébia brutal ao consumidor português: na compra por cá, a Honor envia à parte um tijolo de 100 W e uma capa de proteção de forma totalmente gratuita. Num mercado topo de gama onde se paga balúrdios por estes extras, custa a menos aos concorrentes diretos e é uma atitude de aplaudir.

O design não tenta reinventar a roda face à geração anterior, mas sente-se muito mais refinado, sóbrio e apelativo. A construção é robusta e o arranjo das câmaras traseiras vai beber inspiração à tendência criada pelo dobrável Magic V3, que considero honestamente ser das estéticas mais bem conseguidas da atualidade. Na frente, deparamo-nos com um ecrã de excelente brilho e fluidez, marcado por um entalhe em forma de comprimido. É ali que mora a câmara frontal e o hardware dedicado ao reconhecimento facial 3D. Juntando isto ao sensor ultrassónico de impressões digitais, temos uma experiência de desbloqueio biométrico imediata e sem falhas. Com um desempenho de elite sob o capô, áudio de altíssima qualidade, autonomia fantástica e um conjunto de câmaras super versáteis, este equipamento mostra o quão focada a marca está no mercado europeu.

Mas se o Magic7 Pro é a face contida e premium para o ocidente, aquilo que a Honor anda a magicar no seu país natal roça a pura loucura. Lembram-se dos rumores sobre um ecrã absurdo de 10.000 nits há uns dias? O bicho existe mesmo e dá pelo nome de Honor X80 Pro Max. A marca atirou o barro à parede com um teaser no Weibo a confirmar o lançamento na China para 22 de junho e destacou esse brilho irreal. Vamos ser francos: isto é pura ginástica de relações públicas. É altamente provável que consigam os 10.000 nits apenas numa janela minúscula de 1% do ecrã iluminado. Para levarmos isto a sério, precisaríamos de testar o painel a 100% APL em cenários reais.

Onde a coisa fica verdadeiramente interessante não é nos nits imaginários, mas sim na bateria colossal de 11.000 mAh que vem a reboque. Se deixarmos de parte aquele calhamaço da Energizer de 18.000 mAh, que nunca passou de um truque de feira, o X80 Pro Max traz a maior bateria alguma vez vista num smartphone comercial. A Honor está na vanguarda da tecnologia de baterias de silício-carbono e este modelo é a prova viva dessa capacidade técnica. O carregamento com fios fixa-se nos 90 W, tendo o carregamento sem fios sido sacrificado, muito provavelmente porque simplesmente já não havia espaço físico dentro do chassis.

Passar do padrão habitual dos 5000 mAh dos topos de gama para mais do dobro desta capacidade pode mudar as regras do jogo, dependendo de quanto tempo passam longe de uma tomada. Como o telemóvel vem equipado com o Snapdragon 6 Gen 5 — um processador de gama média da Qualcomm que é novidade mas focado na eficiência energética —, estamos perante uma autonomia que se vai medir em dias.

A ficha técnica deste monstro oriental não se fica por aqui. O tal ecrã ofuscante conta com 6,8 polegadas, resolução 1.5K, taxa de atualização de 120Hz e umas molduras super finas de apenas 1,3 mm. Para os utilizadores com mãos de manteiga, vem blindado com certificação SGS de cinco estrelas contra quedas e a mais alta proteção IP69K contra água e pó. Sabemos ainda que a câmara principal será de 50 MP e que chegará em quatro tons bastante descritivos: Vermelho Relâmpago, Branco Lua, Laranja Vitalidade e Preto Xuanjia.

Infelizmente, não sabemos preços nem opções de armazenamento para o X80 Pro Max, e as hipóteses de o vermos atravessar a fronteira para fora da China são praticamente nulas. Fica, no entanto, a certeza de que entre a solidez premium de um Magic7 Pro no nosso mercado e as experiências de autonomia extremas no oriente, a Honor encontrou o seu ritmo e não está a abrandar.