UMA BELA BAÍA, QUE UNE E NÃO DIVIDE

Antonio-lacerdaA excepcionalidade da Baía de Setúbal, muito justamente considerada uma das mais belas baías do mundo, tem merecido inúmeras referências na imprensa estrangeira, seja por mérito próprio, seja por ser casa de uma das únicas três comunidades de golfinhos residentes na Europa continental, seja pelo azul, que foi já marca e assinatura de um destino turístico internacional.

Quis a geografia dos homens e não a da natureza, que esta bela baía fosse transformada em fronteira, colocando de um lado o destino turístico “Lisboa” e, do outro, o “Alentejo”, como se na óptica de um turista isto fizesse qualquer sentido, que, como sabemos não faz.

Acresce que, para além de apresentar os mesmos produtos turísticos em ambas as margens e no seu seio, a Baía de Setúbal é uma efectiva âncora, que pode e deve servir todo o seu entorno, criando uma forte realidade turística, que não pode dissociar as duas margens.

Olhemos agora de uma forma um pouco detalhada para as implicações que podem resultar desta situação de estar entre dois universos turísticos bem distintos. O Sado, o rio azul, tem um poderoso parceiro quando olhado no âmbito de Lisboa, ajudando a fundamentar a atractividade do merecidamente principal destino turístico nacional, grande motor da economia do turismo e mesmo o maior orientador da estratégia que importa prosseguir para um Portugal que quer ter no turismo um dos mais fortes suportes da sua economia. Em boa hora Lisboa, pelo seu sucesso, foi assumida como modelo a prosseguir noutros destinos regionais.

A somar ao Sado, importa considerar igualmente a cidade de Setúbal, operária, tão cheia de histórias e atractivos, com uma gastronomia conhecida no mundo e que se casa com o Sado num enlace de complementaridades múltiplas.

Depois e qual cereja em cima do bolo, temos a Arrábida, ecossistema único, musa inspiradora de imaginários vários, que se propagou pelo mundo nos sentimentos dos grandes da nossa literatura e poesia.

E do outro lado o que temos? Já não é do destino Lisboa que falamos, mas de um Alentejo que começa logo ali, com apontamentos de singularidade e excelência como a língua de 47 km de areia que une a Ponta do Adoxe a Sines, criando aquela que é uma da mais bela praia que imaginar se pode, o montado que reveste a Serra de Grândola, o património que valoriza as cidades de Alcácer, Santiago e que se prolonga bem lá para dentro, para o resto de um Alentejo plural, que tem na complementaridade dos produtos turísticos o seu principal trunfo.

Perante estas duas realidades turísticas tão diversas, como afirmar a Baía de Setúbal? Associar a um lado, ou ao outro? Prosseguir um caminho independente, sem olhar a um lado e ao outro?

Bom, a meu ver, Setúbal e a sua baía podem ter o melhor de dois mundos, ser uma coisa e outra e, ainda mais do que isso, serem o ponto de convergência entre ambas estas realidades turísticas.

Assim não só ganhará com ambas, como e sobretudo, ajudará ambas a ganharem. Estou certo que Lisboa e o Alentejo saberão agradecer.

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