TURISMO RURAL, DESAFIOS A SUPERAR

Antonio-lacerdaAs unidades de Turismo Rural (TR) sediadas no Alentejo contam com cerca de 400 micro, pequenas e médias empresas que, pela sua dimensão e localização, partilham problemas e dificuldades, de alguma forma específicos, cuja superação, mais do que intervenções isoladas de cada empresário, implica o prosseguimento de estratégias concertadas entre todos eles.

Sem intenção de proceder ao levantamento exaustivo dos fatores de entropia que se colocam aos empresários do TR no Alentejo, gostaríamos de colocar em evidência algumas matérias que entendemos merecerem ser ponderadas e, se resolvidas, acreditamos que outra vida garantiriam aos empresários.

Várias empresas de TR iniciaram a sua atividade num quadro de medidas de incentivo e apoio financeiro com implicações temporalmente dilatadas, encarando agora os empresários algumas dificuldades em assegurarem os compromissos então assumidos. Mais do que analisar o endividamento numa dimensão individual, importaria ver no quadro das oportunidades agora criadas pelo Portugal 2020 a criação de soluções integradoras e de arquitetura variável, aplicáveis à multiplicidade de situações registadas.

Também dificilmente estas empresas conseguem boas negociações com os fornecedores de energia, serviços de comunicações e seguros. No entanto, podem ganhar capacidade negocial se for estabelecido um acordo preferencial para o sector com determinados fornecedores, podendo ser cometida a uma associação sectorial a construção desse entendimento.

Estando inseridas em pleno meio rural, a maioria das unidades de TR acabam por ser confrontadas com a dificuldade, ou mesmo impossibilidade, de aceder às redes de abastecimento público de água, saneamento básico e recolha de resíduos sólidos urbanos, tendo de implementar soluções alternativas que acarretam custos superiores. Bastaria, em muitos casos, uma postura diferente por parte dos poderes públicos locais para se encontrarem alternativas menos onerosas e mais eficazes.

O reforço da competitividade destas empresas implica a sua modernização, seja no domínio das TIC, das instalações, dos equipamentos ou nos serviços, até porque uma parte substantiva destas unidades funciona há já alguns anos e não se encontra adaptada às novas tendências do mercado. A alavanca necessária para superar esse óbice poderá estar, mais uma vez, nas oportunidades garantidas pela nova vaga de Fundos Comunitários.

Para que as taxas de crescimento muito interessantes que o Alentejo vem apresentando desde a primeira década deste século no que respeita à procura turística se mantenham, importa procurar mais turistas e mais mercados, obrigando a que se prossiga uma estratégia ativa de incentivo à comercialização, garantindo, por um lado, o substancial reforço dos meios afetos a esse desiderato e conseguindo, por outro, que cada vez mais unidades se integrem em redes colaborativas estabelecidas com os seus pares.

Ao mesmo tempo, permitam-nos sublinhar que conseguir um corpo de trabalhadores com preparação adequada para o sector do TR constitui uma séria dificuldade, pois aqui a polivalência é fundamental para a rentabilidade da operação. Para colmatar essa dificuldade, hoje expressiva e imensa amanhã, importa que se prossigam políticas ativas de valorização das profissões do turismo, da formação profissional e da mobilidade.

O TR sofre de um fortíssimo défice de reflexão, que urge estancar. Nem a tutela, nem o ensino superior têm garantido a melhor atenção a esta atividade, estando-se hoje perante a situação real de nem sequer se conhecerem os principais indicadores relativamente a este tipo de unidades. Não sabemos quem são os clientes do Turismo Rural, quantos são, de onde vêm, quanto tempo permanecem. Não sabemos nada.

Ultrapassado este vazio e contempladas as medidas que fomos sugerindo será, com certeza, muito mais fácil ser empresário de Turismo Rural.

 

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