TURISMO NO ALENTEJO – COMO PERSPETIVAR 2016

Antonio-lacerdaSegundo o “TURISMO 2020 – CINCO PRINCÍPIOS PARA UMA AMBIÇÃO”:Portugal não será um destino ágil e dinâmico, não será competitivo, se apostar numa política de promoção apenas destinada a reforçar a notoriedade do nosso destino. Uma boa marca turística é aquela que responde às exigências competitivas do mercado, afinada na estrutura de identidade do destino e enquadrada numa plataforma de projeção no futuro, ou seja, que esteja suficientemente enraizada para perdurar no tempo, pensada para colher frutos no presente e no futuro.

Mas se a notoriedade é essencial, e ela é prosseguida não apenas pelo turismo mas também por todas as restantes atividades que, exportando uma imagem de país, ajudam a construir a nossa notoriedade, não deixa de igualmente de ser verdade que essa notoriedade só é útil, só é consequente, só é produtiva, se permitir, num determinado prazo, converter-se na compra de uma viagem, na reserva de um alojamento, na aquisição de um produto ou serviço.

A promoção de que Portugal precisa, para que se constitua como marca forte e de valor, tem por isso de estar associada à venda. É esse o caminho que temos de reforçar. Por outras palavras, a promoção (que gera notoriedade) e o apoio à venda (que visa converter a notoriedade em venda) são duas faces de uma mesma moeda numa política de turismo que se pretenda competitiva num mundo global.”

 

Partindo destes considerandos, é clara a necessidade de garantir o aumento da notoriedade do Alentejo, bem como a melhor adequação e acerto da promoção às motivações dos potenciais clientes, conseguindo por essa via o aumento das oportunidades comerciais para as empresas do sector na região.

Todo esse trabalho terá de ser feito em conjunto entre a estrutura à qual compete a promoção turística externa do Alentejo e as empresas, focando os mercados de forma diferenciada, com uma aposta nos mercados que podem traduzir oportunidades para a venda de produtos de nicho que caracterizam este destino, por forma a garantir o crescimento do número de turistas, de dormidas e receitas, sobretudo fora da época alta e de forma mais disseminada pelo território, contribuindo para atenuar os fenómenos de sazonalidade e de concentração da procura.

Para satisfação desse objetivo macro, entendemos ser de conferir especial atenção a Espanha, não só por ser o principal mercado externo mas também por nele se identificarem possibilidades de crescimento, descriminando positivamente os mercados classificados de 1º nível, onde a França se junta à Espanha, dando uma atenção especial aos de 2º nível, grupo que integra Brasil, Reino Unido, Belenlux e Alemanha, deixando para uma intervenção seletiva outros mercados, como os USA, Escandinávia e Itália.

Esta abordagem aos mercados terá de ser dinâmica, capaz de se ajustar a situações de contexto que ocorram em resultado de alterações verificadas nas dinâmicas internas do sector, ou de qualquer externalidade.

Uma nota específica merece a concertação da atividade do Alentejo com outros destinos nacionais, do Porto e Norte de Portugal ao Algarve, sobretudo focado no turismo ativo e de natureza, concretizando ações de promoção integradas, definidas em conjunto com os parceiros, como já se tem vindo a verificar com os NER’s e CIM’s.

Numa análise mais atenta aos mercados e mais uma vez citando o “TURISMO 2020 – CINCO PRINCÍPIOS PARA UMA AMBIÇÃO”: “A orientação para a internacionalização do turismo na região do Alentejo é evidente quando olhamos para quota de mercado do mercado externo e verificamos que aumentou de 24,2% em 2007 para 34,6% em 2014, cerca de 10,4 p.p..

(…)

É de referir que o Brasil é o mercado que mais se evidencia, apesar de em 2014 ser o 3º mercado com maior volume de dormidas na região, foi o mercado que mais cresceu, registando uma variação positiva das dormidas de 268,6%.

Considerando como medida as dormidas na hotelaria, é de referir que os cinco principais mercados emissores (em 2014:Espanha, França, Brasil, Alemanha e Reino Unido) conjuntamente com o mercado interno concentram aproximadamente 86,8% do total das dormidas da Região do Alentejo.

(…)

Analisando para o período de 2007 a 2014 as variações dos diversos mercados e como as suas quotas evoluíram importa salientar o mercado do Brasil que se destaca com uma variação positiva de +20,5% seguido do mercado de França que apresenta um aumento de +15,8%”.

Assim, a estratégia a prosseguir deverá ser alicerçada no conhecimento das motivações do potenciais turistas mercado a mercado e naquilo em que o Alentejo melhor poderá concorrer para a sua satisfação pela singularidade dos seus produtos, nomeadamente Touring Paisagístico, Turismo Natureza (walking, cycling, birdwatching, horseriding, etc.) Sol e Mar e Turismo do Mar, com a presença transversal do Gastronomia e Vinhos.

Desta forma e em consonância com as linhas orientadoras definidas para o território nos diferentes documentos estratégicos desenvolvidos para a região, o Alentejo conseguirá alcançar as seguintes metas:

  1. Contribuir para a redução da sazonalidade, combatendo as baixas taxas de ocupação e consequentemente aumentar os rendimentos do setor;
  2. Melhorar o conhecimento do mercado potencial sobre o destino, aumentar o seu interesse pelo mesmo e facilitar a decisão de compra;
  3. Adequar a promoção às motivações dos turistas;
  4. Alcançar um posicionamento adequado no mercado, consistente com a estratégia de desenvolvimento turístico do País e do Alentejo;
  5. Reforçar a diferenciação e a excelência da marca em diferentes ações de promoção e consolidar a notoriedade da mesma;
  6. Divulgar o destino e os seus produtos e subprodutos turísticos (com o objetivo de captar potenciais investidores para projetos ligados ao turismo, à hotelaria e a outros sectores económicos);
  7. Promover o destino junto e através de líderes de opinião.

Por sua vez o alcance destas metas garante a satisfação dos seguintes objetivos específicos:

  1. Contribuir para o reconhecimento internacional coletivo de serviços turísticos produzidos em Portugal, em particular no Alentejo;
  2. Potenciar o sucesso da internacionalização das PME;
  3. Aumentar o conhecimento sobre os mercados e as motivações dos potenciais turistas;
  4. Contribuir para a dinamização de iniciativas coletivas de cooperação empresarial.

Com tudo isto, o Alentejo conseguirá prosseguir a dinâmica de crescimento nos mercados externos que tem dominado a última década.

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