POR MAIS E MELHOR ESTADO

Eurídice PereiraJJJA forte instabilidade que se vive em muitos países desde o Egipto passando pela Síria, à Líbia, não esquecendo o Iraque, arrasta consequências económicas e sociais de maior gravidade, com impactos em milhões de cidadãos que procuram a sobrevivência em países identificados como estáveis e desenvolvidos. É, assim, compreensível que a União Europeia seja identificada como região privilegiada por esses desesperados seres humanos que buscam refúgio e um futuro condigno de vida.

Torna-se, por efeito, útil e proveitoso termos presente que a realidade supranacional que é a U.E. e o que ela representa para os refugiados, e no fundo para o mundo, foi o resultado de políticas conjugadas do socialismo democrático e da democracia cristã, esta então sustentada na doutrina social da igreja, que conseguiram, logo após a segunda guerra mundial, inspirar um modelo de desenvolvimento com forte proteção social, em que o Estado assumiu o papel motor da criação da segurança social pública.

Apesar da crise e das políticas de austeridade que têm sido aplicadas, ter sido possível assegurar a defesa desse modelo, muito mercê da reação dos cidadãos contra conceções neoliberais que, a pretexto que a menos Estado corresponde melhor Estado, procurem desarmar o próprio Estado e decapitar as políticas sociais e com ela a segurança social.

A questão dos refugiados traz para primeiro plano, mais uma vez, a noção e o papel insubstituível das funções e dos poderes dos Estados e nestes das políticas sociais que são adotadas como instrumentos do próprio desenvolvimento.

Para aqueles para quem a intervenção do Estado é um pecado maior fica bem expresso, por mais esse exemplo, que não há política de desenvolvimento humano que vingue desarmando os Estados da função soberana de solidariedade. Aliás, nas maiores exigências o apelo é sempre, na prática, de mais e melhor Estado.

SEM COMENTÁRIOS

Deixe a sua resposta