PARA QUE ACONTEÇA NATAL NA REGIÃO DE SETÚBAL, MAS NÃO SÓ EM DEZEMBRO

eugenio-fonsecaEste deve ser o tempo do ano em que mais mensagens bonitas se partilham. Os seus conteúdos humanistas e a formulação de desejos são pintados com cores muito vivas. Assim vai ser, no mínimo, até ao segundo dia do próximo ano.

Também eu entro, com muita sinceridade, nesta corrente. Apesar da minha idade já não ser adequada a essa tarefa, mas, este ano, até decidi escrever uma carta ao Menino Jesus. Afinal, quem é que, nesta quadra festiva, por muitos anos já vividos, não sente que uma parte do seu coração recuperou a simplicidade e inocência dos tempos em que foi criança? Por outro lado, também me parece que uma mítica figura a quem chamam Pai Natal recebe, agora, mais cartas que o Menino Jesus, quis dar um pequeno contributo para se ir anulando tão injusto equívoco.

Na carta que escrevi, há uns dias, pedi presentes para mim, para o meu querido Portugal e para o mundo em geral. Mas, porque já não deve ter tanto trabalho a ler cartas como tem o tal “homem da barbas brancas” não ficará incomodado se receber mais uma da minha parte. Tanto mais que eu sei que tem muita paciência.

Nunca senti que já se tivesse saturado de tanto pedidos que Lhe tenho feito, porque a muitos já me respondeu favoravelmente. Razões não Lhe faltariam, tantas têm sido as minhas ingratidões. Algumas vezes peço para mim e para os meus, mas o maior número é em nome daqueles a quem são recusados pedidos; alguns que são até direitos e não favores, por parte de quem assumiu responsabilidades terrenas para dar respostas a solicitações que bastava vontade para as satisfazer.

Desta vez, escrevi-Lhe para que “coloque no sapatinho” de cada instituição, pública ou particular, de qualquer área de intervenção e no de cada cidadão e cidadã da nossa Região de Setúbal algumas “prendas” importantes para o nosso bem-estar comum e individual. Não é por uma razão bairrista, porque o Menino, cujo aniversário celebramos a 25 deste mês, quando se tornou adulto, deixou claro que nem Ele, nem Deus seu Pai faziam qualquer tipo de aceção de pessoas, fosse de quem fosse. Fi-lo porque sei, como muitos, que o progresso, a todos os níveis, da minha querida Região é incontornável para o verdadeiro desenvolvimento de Portugal.

Para isso, pedi-lhe:

– Que ajudasse cada um dos meus concidadãos, incluindo-me a mim, como é óbvio, a ter maior consciência cívica, de modo a que contribua para uma sã convivência no seu prédio e/ou na sua rua; que numa dinâmica de boa vontade coletiva se unam para tornar o seu bairro um lugar onde qualquer pessoa gostasse de viver; que apoiem todas as instituições radicadas no bairro ou nos bairros vizinhos; que não se demitam de chamar a atenção dos que têm responsabilidades públicas para o que considerarem indispensável, não só para si, mas para todos; que não se neguem a votar em qualquer ato eleitoral;

– Que nos desse um espírito menos fatalista e de critica negativista, até porque Ele proporcionou condições naturais ímpares à nossa Região. Não as enumerei porque Ele bem as conhece e tive receio de O desmotivar a escutar este pedido por nos ter dado tantas oportunidades que não temos conseguido aproveitar;

– Que motivasse os investidores nacionais e internacionais a instalarem tantas unidades produtivas quantas são necessárias para que a ninguém falte trabalho. Mas que produzam não só para consumo interno, mas, fundamentalmente, externo, porque temos dos melhores portos de mar e um dos melhores estaleiros navais;

– Que coloque no coração dos políticos eleitos para nos representarem no Parlamento, que venham mais vezes estar connosco, pois só assim poderão conhecer melhor os anseios e os desagrados do povo e dos dirigentes das estruturas locais de cada Partido, e assim manifestem uma maior capacidade de diálogo, pensando mais no bem comum, do que nos interesses partidários;

– Que encoraje os Seus seguidores a unirem-se em torno do seu novo Bispo para, com ele, nos abrirmos aos problemas da região com uma vontade transformadora e não defensiva. Que passemos a dar mais importância ao que une as diferentes Confissões Religiosas do que ao pouco que nos divide, pois só assim a nossa catolicidade será credível;

– Que espicace a consciência dos mais indiferentes para que não haja tanta gente desiludida com tudo e com todos, sem acesso a bens essenciais como a alimentação, a educação e a saúde, que vivem tão sós que passam os dias a chamar a morte, quando não vão mesmo ao seu encontro porque foram assassinados socialmente pela indiferença …

A terminar atrevi-me a lembrar-Lhe que, se nos ajudar a fazer que tudo isto (e outras coisas sejam realidade), então acontecerá Natal na Região de Setúbal durante os 365 dias de 2016 e nos anos seguintes.   

Eugénio Fonseca

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