NOTA ALTA

Paulo-SergioO Vitória de Setúbal fechou a primeira volta da liga com uma derrota em Paços de Ferreira que não foi representativa da qualidade que a equipa demonstrou ao longo de todo o jogo. Aliás, com uma arbitragem daquele quilate, não era, de fato, possível fazer muito mais ou muito melhor.

O que será que é preciso um jogador fazer a outro para ser expulso? Depois do lance entre Romeu e Costinha penso que só se lhe partir uma perna e mesmo assim tenho dúvidas. Mas adiante. O que vale a pena sublinhar é, mais uma vez, a qualidade e a entrega que a equipa demonstrou. Aliás, o jogo de Paços de Ferreira, mesmo com um resultado negativo, foi a imagem que os sadinos deram ao longo da primeira volta da liga: muito fortes ofensivamente e com algumas debilidades do ponto de vista defensivo. Se a equipa conseguisse ter encontrado um ponto de equilíbrio não teria grandes dúvidas de que seria um forte candidato ao apuramento europeu. Assim vai seguramente fazer um campeonato tranquilo.

Esse desequilíbrio é tão mais evidente quando se comparam os números que a equipa fez ao longo da primeira volta com aqueles que realizou na temporada passada no mesmo período. A equipa de Quim Machado fez 22 pontos mais 8 pontos do que na época 2014/15. Tem mais 17 golos marcados mas, e é aqui que há um problema, tem os mesmos 30 golos sofridos. Ou seja, o evidente crescimento da produção ofensiva da equipa não acompanhou a prestação defensiva, já que mantém os mesmos 30 golos sofridos. É evidente que o Vitória de Setúbal tem aqui um problema bicudo que urge resolver e rapidamente. Assim sendo, parece-me óbvio que a defesa é um dos setores que necessita de reforço para a segunda parte da temporada, principalmente na sua zona central, ainda para mais depois da saída do senegalês François. É verdade que os sadinos já perderam o coreano Suk, num negócio que valia a pena ser explicado pela administração da SAD de para que não houvesse nenhuma dúvida, mas, neste caso, com aquilo que existe – Vasco Costa tem demonstrado ser uma boa solução – e com a entrada de Meyong – apesar da idade e do ritmo angolano ser muito diferente do português – parece-me que as coisas estão garantidas. Até porque do ponto de vista ofensivo, a forma como a equipa está trabalhada dá a ideia de que é só trocar de jogadores porque os princípios de jogos estão lá. Bem diferente é a situação na retaguarda.

Para a segunda volta da liga, que começa no estádio do Bessa no jogo com o Boavista, o Vitória de Setúbal precisa de fazer, pelas minhas contas, 8 pontos para garantir a permanência. 30 pontos são mais do que suficientes. Aliás há mesmo quem diga que os 26 pontos chegam e sobram mas nunca devemos facilitar. Espero que a equipa continue a surpreender com o bom futebol que está a praticar e que a tranquilidade que os pontos dão lhe permita explanar ainda mais essa qualidade. Espero também que consiga ganhar mais vezes em casa, o que era ótimo para os adeptos que tanto a apoiam e já agora que o Quim Machado, treinador que admiro, renove o contrato que o liga ao clube só até ao final da temporada para assim começar, desde já, a preparar a época 2016/17. Era muito bom dar continuidade a um trabalho que salta à vista e que tem muita qualidade.

PS – Digam o que disserem e analisem como quiserem – sei que vou ser muito criticado mas é a realidade porque é uma das áreas que melhor conheço profissionalmente – a atual administração do Vitória de Setúbal fez, em duas semanas, dois excelentes negócios. Segundo apurei vendeu à NOS os direitos de transmissão televisiva dos jogos da equipa de futebol por um valor a rondar os 4 milhões de euros por temporada. É só mais do dobro do que recebia atualmente. É bom? Não. É excelente. Por outro lado, a ser verdade o que vem nos jornais, e eu gostava de ouvir alguém da SAD a explicar o negócio, vendeu 70% do passe do coreano SUK por 1,5 milhão de euros. É pouco? Para um clube como o nosso é excelente. A capacidade negocial do Vitória é totalmente diferente de outras equipas com, por exemplo, o Sporting de Braga ou o Rio Ave. Quem disser o contrário percebe pouco deste negócio. E para quem sabe como funciona este mercado isto é evidente. Melhor só no Football Manager mas isso é na realidade virtual e não na vida real. Que o dinheiro sirva, acima de tudo, para pagar dívidas e tornar o Vitória de Setúbal viável do ponto de vista económico-financeiro são os meus votos.

1 COMENTÁRIO

  1. Caro Paulo,
    Como é que o negócio de Suk por 1.5M pode ser considerado bom negócio(Tirando o facto de que esse dinheiro nunca entrará nos cofres do clube)? quando por exemplo o Maritimo pede 5M pelo Marega?
    Cmpts

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