A SIMPLICIDADE DE UM TREINADOR

Paulo-SergioHá pessoas que independentemente do que façam daqui até ao fim da vida já garantiram o seu lugar na história da cidade, do futebol português e, por maioria de razão, do próprio país. Hélio Sousa, 45 anos, nascido, criado e vivido em Setúbal, é um deles.

A sua história de vida é simples tal como ele sempre foi e continua a ser. Tudo começou em 1989, na Arábia Saudita, quando fez parte da equipa treinada por Carlos Queiroz que, pela primeira vez na história do futebol luso, venceu um Campeonato do Mundo de sub 20.

Para muitos essa conquista significou o passaporte para o estrelato e, causa efeito, acabaram por jogar em grandes clubes europeus, venceram provas, títulos e ganharam muito dinheiro. Paulo Sousa, Fernando Couto, João Vieira Pinto, Paulo Alves e Folha, entre outros foram alguns desses exemplos que chegaram inclusive à seleção AA. Diferente. Muito diferente foi o percurso de Hélio que começou e acabou sempre no mesmo clube – Vitória de Setúbal. Dos sub 13 à equipa principal. Nunca saiu do Bonfim.

Em 2004/05, no ano em que pendurou as botas, conquistou a Taça de Portugal e, apesar de não ter jogado no Jamor – merecia outra consideração do treinador da altura, mas dos fracos não reza a história – foi ele que levantou o troféu. Daí para cá, como muitos dos seus companheiros de percurso, iniciou a sua carreira de treinador. Primeiro no seu clube de sempre, o Vitória de Setúbal e depois no Sporting da Covilhã, embora sem grande sucesso. Até que chegou aos quadros da Federação Portuguesa de Futebol.

Desde 2010 que este setubalense, outra vez pela mão do então selecionador nacional Carlos Queiroz, tem vindo sucessivamente a quebrar barreiras e a ter sucesso nas seleções jovens de Portugal. Só alguns exemplos, em 2011, como adjunto de Ilídio Vale, foi vice-campeão mundial de sub 20 na Colômbia. No ano passado, como líder da equipa nacional de sub 19, foi vice-campeão europeu da categoria, tendo perdido a final frente à Alemanha por 1-0. O último capítulo desta história foi escrito recentemente na Nova Zelândia no Mundial de sub 20. A seleção portuguesa liderada por Hélio Sousa voltou a deixar uma boa imagem ao praticar um futebol de enorme qualidade e só caiu nos penalties aos pés do gigante Brasil.

De novo em Setúbal, viu-o esta semana no mesmo café de sempre, no Montalvão, onde, por vezes, nos cruzamos. Simples e tranquilo lá estava ele a ler o seu jornal desportivo. Quem não o conhece ou nem faz ideia de quem é e o que representa para a cidade e para o futebol português. No mundo pop e de glamour que caracteriza esta atividade híper mediática que é o chuto na bola é muito interessante perceber que ainda temos gente deste calibre e que recusa o estrelato e o vedetismo.

2 COMENTÁRIOS

  1. Só um aparte, o Helio terminou a carreira no Vitoria porque quando
    o Vitoria desceu de divisão o Helio ia para o belenenses e não passou nos exames médicos.

    O sr.Paulo sergio não devia falar desse modo do José Rachão e devia o tratar pelo nome,
    o Sr.José Rachão Venceu uma taça de portugal, lamento estas declarações enfim…
    “merecia outra consideração do treinador da altura, mas dos fracos não reza a história”

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