A CIDADE

fernando-negrao-fotoAntes de mais, o meu sentido obrigado pelo facto de me ter sido proporcionada a oportunidade de escrever na terra onde vivo.

É bom marcar o dia com o relato matinal das notícias nacionais. Hoje, por exemplo, anuncia-se a concessão do Oceanário de Lisboa a um grupo privado, ou a apresentação das primeiras ideias a projectar para a TAP pelos novos donos ou, ainda, a possível introdução das taxas moderadoras na interrupção voluntária da gravidez.

Mas se formos mais longe, como sempre devemos ir, temos hoje também a notícia de que o Parlamento Europeu aprovou finalmente o Plano Juncker, que tem por objectivo mobilizar 315 mil milhões de euros de investimento. Ou, numa visão ainda mais global, darmos conta que Barack Obama ligou ao Presidente francês, garantindo que o seu país não espiou nenhum dos presidentes franceses e, ainda, que a NATO se prepara para rever a sua política quanto ao armamento nuclear, devido ao conflito que a Rússia mantém com a Ucrânia.

Este é um pequeno resumo, nem sequer contendo outras notícias eventualmente mais importantes ou decisivas, mas que nos dão uma pequena noção de que o mundo não pára, de que todos os dias acontecem e acontecerão coisas boas e coisas más e, principalmente, que o mundo em que hoje vivemos está cada vez mais “pequeno”, no sentido de que o que sabíamos ontem acerca da nossa cidade, podemos saber hoje acerca do mundo. E é esta a visão que devemos ter relativamente ao lugar onde vivemos, ou seja, uma visão cosmopolita.

Percebemos que hoje, a cultura da origem das nossas cidades só se enriquece com a influência de outras culturas, por já nos movermos no mundo, da mesma forma que há alguns anos nos movíamos nas ruas da nossa cidade. Em consequência as mudanças são e serão cada vez mais rápidas.

Os cidadãos deixarão de mudar de emprego para a “loja” do fundo da rua, para descobrir que se, valer a pena, abrir um negócio de tortas de Azeitão, ou de conservas de ovas de sardinhas em Abu Dhabi, não hesitará em fazê-lo. Sendo que o contrário também acontecerá. E desta forma, a nossa terra ficará mais rica mais cosmopolita, na diversidade gastronómica, na arquitectura, na forma de vestir, nas artes, mesmo nas tradições e nos costumes. É cada vez mais urgente construir e “reconstruir” a nossa cidade em função, não só de nós e da nossa maneira de estar, mas também em função do “outro”, partindo do princípio que quem vem, vem sempre por bem. Para que isto aconteça e aconteça bem, é precisa muita generosidade, a maior tolerância e toda a abertura.

Conta igualmente a história, dos que daqui saíram em busca de vida melhor ou diferente, bem como dos que aqui aportaram por via de opção pessoal ou de interesse profissional, cujas contas têm sempre saldo positivo pois a viagem de encontro com “outros” só nos dá mais saber, mais experiência e mais sentido solidário.

Setúbal tem todas as condições para ser uma cidade cosmopolita!

25 de Junho de 2015

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